Guia de segurança para empresas
Organizações de todos os portes são alvo, e pequenas e médias empresas costumam ser as menos preparadas para se recuperar. Este guia reúne o essencial para prevenir, responder e cumprir a lei.
Controles essenciais
Estes controles impedem ou limitam a grande maioria dos ataques de ransomware e de fraude que atingem empresas brasileiras.
- Autenticação multifator em todos os acessos remotos, e-mail, nuvem e contas administrativas
- Inventário atualizado dos sistemas expostos à internet e correção prioritária das falhas em exploração ativa
- Backups diários com pelo menos uma cópia offline ou imutável, e testes periódicos de restauração
- Contas de administrador separadas das contas de uso diário, com o mínimo de privilégios
- Proteção de estações e servidores com detecção e resposta (EDR) e alertas monitorados
- Segmentação da rede, para que um computador invadido não dê acesso a tudo
- Dupla aprovação para pagamentos e para mudança de dados bancários de fornecedores
- Registro (logs) de acessos guardado por tempo suficiente para investigar um incidente
- Treinamento recorrente das equipes com simulações de phishing e de deepfake
- Avaliação de segurança de fornecedores com acesso aos seus sistemas ou dados
- Plano de resposta a incidentes escrito, com contatos, responsáveis e exercícios anuais
Resposta a incidentes: as primeiras horas
Contenha
Isole da rede os equipamentos afetados. Evite desligá-los, se possível, para preservar evidências na memória. Bloqueie contas comprometidas e revogue acessos remotos.
Acione os responsáveis
Equipe de TI, empresa de resposta a incidentes, jurídico, encarregado de dados (DPO), diretoria e, se houver, a seguradora de risco cibernético, que costuma exigir aviso imediato.
Preserve evidências
Guarde logs, notas de resgate, e-mails suspeitos e a linha do tempo dos fatos. Registre ocorrência na Polícia Civil ou na Polícia Federal, conforme o caso.
Avalie o impacto
Quais sistemas e dados foram afetados? Houve dados pessoais? De quantas pessoas? Isso determina as obrigações legais e a comunicação.
Comunique com transparência
Clientes, funcionários e parceiros devem ouvir a versão oficial da empresa antes de serem procurados por golpistas que se aproveitam do incidente.
Recupere e aprenda
Restaure a partir de backups limpos, corrija a porta de entrada e revise os controles antes de voltar à operação normal.
Obrigações legais
- Instituições financeiras e de pagamento seguem as regras de segurança cibernética do Conselho Monetário Nacional e do Banco Central (Resolução CMN nº 4.893/2021 e Resolução BCB nº 85/2021), incluindo comunicação de incidentes relevantes ao Banco Central.
- Órgãos públicos federais devem notificar o CTIR Gov.
- Empresas de capital aberto devem avaliar a necessidade de fato relevante ao mercado.
- Notifique também o CERT.br, que ajuda na coordenação de incidentes envolvendo redes brasileiras.
Esta seção é informativa. Consulte sempre o seu jurídico para o caso concreto.
Pagar o resgate?
Autoridades de vários países recomendam não pagar. O pagamento não garante a recuperação dos dados nem a exclusão das cópias roubadas, financia novos ataques e pode tornar a empresa alvo de novas extorsões. Além disso, pode haver implicações legais caso o grupo esteja sujeito a sanções internacionais. A melhor proteção contra essa decisão é ter backups que funcionem.
Para saber quais falhas exigem correção imediata, acompanhe a página de vulnerabilidades em exploração.